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Falar sobre a presença alemã em Igrejinha é possível sob diversos aspectos, porém a influência germânica é mais visível na fé, na união e na vontade de trabalhar tão presentes em nosso povo. Os primeiros alemães que aqui chegaram encontraram muitas dificuldades, mas sem dúvidas, souberam fincar suas raízes nestas terras e transmitiram valores importantes de sua formação cultural, social e religiosa.
O DIA DO KERB A maior festa do ano na zona colonial alemã é o Kerb, isto é, a festa do padroeiro da igreja, a festa da comunidade. O Kerb dura três dias e semanas antes os preparativos já começam, é muito importante reunir muitos mantimentos para a cozinha e confeitaria e também as bebidas que serão consumidas durante a festa. No dia do Kerb, a comunidade está toda arrumada, com ar alegre e festivo, especialmente o salão principal da comunidade. É no salão onde estão as guirlandas, coroas, as mais belas flores e bandeirinhas, no meio do salão, encontramos a coroa mais enfeitada, e do centro desta coroa pende uma garrafa de cerveja ou vinho, este é o principal ornamento do Kerb.
O FALAR Os imigrantes alemães que se estabeleceram no Rio Grande do Sul a partir de 1824 trouxeram consigo o idioma alemão por meio do qual se comunicavam oralmente e por escrito. Este idioma que falavam, liam e escreviam não era homogêneo, oriundo de uma única região. Assim como no Brasil temos diversos sotaques, cada região na Alemanha tem seu próprio dialeto. No Brasil alguns dialetos desapareceram e outros prevaleceram. Conhecemos hoje os três principais dialetos ainda falados, o Westfaliano, o Pomerano e o Hunsrückisch, este ainda falado por uma grande parcela da população Igrejinhense. O Hunsrückisch é motivo de muito orgulho em nossa comunidade, é transmitido pelos avós e pais aos filhos.
A CASA DO COLONO A primeira moradia dos imigrantes recém chegados as novas colônias era sempre uma simples choupana, porém com o tempo, a medida que as colônias se desenvolviam e os imigrantes prosperavam, as choupanas davam lugar a casas mais sólidas, amplas e confortáveis. Estas novas casas eram construídas com a mesma técnica utilizada por eles em sua terra natal. A principal técnica utilizada era o enxaimel (Fachwerk), com telhado de madeira ou telhas de barro e amadeiramento aparente era inicialmente construída com paredes de taipa e posteriormente, de pedra, tijolos e cimento. Muitas vezes essas casas eram compostas de dois ambientes, a cozinha, era separada dos outros cômodos da casa (geralmente uma sala e quartos), estas duas peças tinham alguns metros de distância por causa do fogo, já que os fogões de chapa de ferro podiam ocasionar incêndios, assim caso a cozinha queimasse, a casa ficaria preservada. Em Igrejinha podemos visualizar ainda hoje muitas casas construídas com a técnica enxaimel, elas são parte de nosso Patrimônio Histórico e Cultural. Localizada dentro do Parque Almiro Grings (popularmente conhecido como Parque da Oktoberfest) temos a Vila Germânica, esta vila foi construída com casas inspiradas na técnica enxaimel.
ENCONTROS As práticas de lazer e de sociabilidade entre os imigrantes e seus descendentes englobaram diversas modalidades no espaço urbano e rural, das quais se apresenta aqui uma pequena parcela. Além dos encontros em casa durante as visitas dominicais após o culto ou a missa, também eram comuns as conversas na venda, principalmente quando o caixeiro viajante chegava contando as novidades das outras colônias. Com a prosperidade na colônia, sociedades foram fundadas e estas foram significativos espaços de sociabilidade e de lazer para os imigrantes e seus descendentes. Igrejinha conta hoje com sociedades que ainda preservam a sua cultura através do canto, danças, jogos, terno de atiradores e outras atividades recreativas além de sociedades voltadas para a assistência social.
REPRESENTAÇÕES DA IDENTIDADE ALEMÃ A recuperação da memória e da história da imigração e colonização, representa hoje uma forma de chegar mais perto do que já fomos, é uma maneira de encontrar um elo com o nosso passado e reviver algumas das atividades dos nossos antepassados. Estabelecer esta linha entre passado, presente e futuro é o que motiva muitas atividades desenvolvidas hoje, conhecer e cultuar o estilo enxaimel, as danças germânicas, as festas e comidas fazem parte da valorização da nossa história e de nossa memória.
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